# CID-10, CID-11 e o que muda para quem trabalha com dados do SUS
Sidney Bissoli
2026-08-31

- [O que é a CID-10 que o SUS usa](#o-que-é-a-cid-10-que-o-sus-usa)
- [O que é a CID-11, e por que ela ainda não substituiu nada
  aqui](#o-que-é-a-cid-11-e-por-que-ela-ainda-não-substituiu-nada-aqui)
- [As tabelas de transição: o que elas são, e o que não
  são](#as-tabelas-de-transição-o-que-elas-são-e-o-que-não-são)
- [Uma nota sobre tradução](#uma-nota-sobre-tradução)
- [Licenças, porque elas diferem entre as
  fontes](#licenças-porque-elas-diferem-entre-as-fontes)
- [E onde entra um assistente de IA](#e-onde-entra-um-assistente-de-ia)

conjuntos oficiais que acompanham o servidor — a CID-10 V2008 publicada
pelo DataSUS e as tabelas de transição da OMS, release 2025-01 — e podem
ser reproduzidas por qualquer pessoa a partir das fontes citadas.\*

Quem trabalha com dado de saúde no Brasil convive com duas
classificações ao mesmo tempo, e elas não são versões uma da outra no
sentido em que se costuma pensar. Este texto é sobre o que separa as
duas, o que existe de oficial para ligá-las, e onde estão os erros mais
comuns de quem faz essa ponte na mão.

## O que é a CID-10 que o SUS usa

O SUS opera sobre a **CID-10, versão V2008**, traduzida para o português
pelo Centro Brasileiro de Classificação de Doenças (CBCD, da Faculdade
de Saúde Pública da USP) e publicada eletronicamente pelo DataSUS. É o
que preenche o campo de diagnóstico da AIH, do SIA, da declaração de
óbito, do SINAN. Não é uma tradução informal: é o padrão operacional.

A estrutura tem quatro níveis, e as contagens exatas do arquivo V2008
são estas:

| Nível | Quantidade | Exemplo |
|----|----|----|
| Capítulos | **22** | `Capítulo I — Algumas doenças infecciosas e parasitárias` (A00–B99) |
| Grupos | **275** | `A00–A09 — Doenças infecciosas intestinais` |
| Categorias (3 caracteres) | **2.045** | `A00 — Cólera` |
| Subcategorias (4 caracteres) | **12.451** | `A00.0 — Cólera devida a Vibrio cholerae 01, biótipo cholerae` |

*Fonte: DataSUS / CBCD, CID-10 V2008,
http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/ — contagens extraídas do
conjunto embutido em `medical-terminologies-mcp`.*

Três detalhes desse arquivo derrubam quem cruza bases:

**1. O código tem duas grafias.** A subcategoria aparece como `A000` na
chave e como `A00.0` na exibição. Bases diferentes escolhem grafias
diferentes, e um `JOIN` ingênuo entre elas casa zero linhas sem
reclamar. Normalize antes.

**2. Nem todo código é usável em qualquer contexto.** O arquivo traz
marcadores de restrição por sexo e de causa de óbito. Um código restrito
a um sexo que aparece com o outro é erro de digitação na origem, não
achado epidemiológico — mas só aparece se alguém for olhar o marcador.

**3. Categoria não é subcategoria.** `I21` (infarto agudo do miocárdio)
e `I21.0` não são o mesmo grão. Contar as duas na mesma tabela
dupla-conta. É o erro mais comum em contagem de morbidade a partir de
dado bruto.

## O que é a CID-11, e por que ela ainda não substituiu nada aqui

A **CID-11** é a revisão vigente da OMS. Ela não é uma CID-10
renumerada: mudou o número de capítulos, criou capítulos novos (medicina
tradicional, saúde sexual), introduziu **pós-coordenação** — a
possibilidade de compor um código principal com eixos adicionais
(gravidade, lateralidade, agente etiológico) —, e sua identidade
canônica não é o código alfanumérico, e sim uma **URI**.

Enquanto isso, os sistemas de informação do SUS seguem em CID-10 V2008.
Na prática, quem trabalha com dado brasileiro precisa dos dois: a CID-10
para operar, a CID-11 para comparar internacionalmente e para acompanhar
a literatura recente.

## As tabelas de transição: o que elas são, e o que não são

A OMS publica, dentro de cada release da CID-11, tabelas de
correspondência entre as duas revisões. Na release **2025-01**
(publicada em 24/01/2025), o conteúdo é este:

- **11.243** entradas de CID-10 mapeadas;
- **1.461** delas trazem alternativas documentadas pela própria OMS,
  além do código principal;
- nenhuma entrada fica sem código principal.

Um exemplo, o diabetes tipo 2:

    CID-10  E11   Type 2 diabetes mellitus     (capítulo IV)
    CID-11  5A11  Type 2 diabetes mellitus     (capítulo 05)
            URI: http://id.who.int/icd/entity/119724091

*Fonte: OMS, tabelas de transição da release 2025-01,
https://icdcdn.who.int/static/releasefiles/2025-01/mapping.zip*

E aqui vem a parte que costuma ser ignorada. A orientação da própria OMS
sobre essas tabelas é explícita: elas mostram a correspondência entre as
revisões e **“não se destinam a converter dados diretamente de uma
revisão para a outra”**.

Isso não é formalidade jurídica. As 1.461 entradas com alternativas são
exatamente os casos em que a correspondência não é de um para um: uma
categoria da CID-10 que se desdobrou, ou que foi absorvida por um
agrupamento diferente. Rodar a tabela como se fosse um dicionário de
tradução, sobre uma base de milhões de registros, produz uma série
histórica que parece contínua e não é. O uso legítimo é outro:
**consultar caso a caso, com a alternativa à vista, para decidir com
critério clínico ou epidemiológico**.

## Uma nota sobre tradução

Nenhum dos textos acima é traduzido por máquina, e isso é uma escolha
deliberada de quem serve terminologia.

- A CID-10 em português é a **tradução oficial** do CBCD. Não há por que
  traduzir o que já foi traduzido por quem tem autoridade para isso.
- A CID-11 tem **linearização oficial em português da OMS** — pede-se
  com o parâmetro de idioma, e vem o rótulo oficial.
- O MeSH tem traduções da própria NLM, onde elas existem.

Quando a fonte não tem tradução oficial para uma entrada, a resposta
honesta é devolver o idioma de origem. Um rótulo clínico traduzido por
máquina parece serviço e é passivo: uma diferença sutil de termo muda o
que o código significa, e quem lê não tem como saber que aquele texto
não é oficial.

## Licenças, porque elas diferem entre as fontes

Um detalhe que atrapalha mais projetos do que deveria: **as
classificações não compartilham licença**, e o software que as serve não
estende a sua própria.

- **CID-10 V2008 (DataSUS/CBCD):** © OMS; tradução © CBCD/FSP-USP;
  arquivos eletrônicos publicados pelo DataSUS. A permissão é de uso
  pelos desenvolvedores **com o devido crédito e sem custo**.
- **CID-11 (OMS):** Creative Commons Atribuição-SemDerivações 3.0 IGO
  (CC BY-ND 3.0 IGO), com citação exigida e a ressalva de que a OMS pode
  encerrar a licença mediante aviso.
- **Tabelas de transição:** © OMS, sob os Termos de Uso da CID-11.
- **LOINC:** © Regenstrief Institute, gratuito sob a licença própria.
- **RxNorm e MeSH:** obras do governo dos EUA, servidas pela NLM.
- **SNOMED CT:** exige licença da SNOMED International. O Brasil **não**
  é país membro — o caminho aqui é a licença de Afiliado.

A regra que evita problema: a licença do código do software não vale
para o conteúdo que ele serve. Cada resposta deve carregar a licença da
fonte daquele número.

## E onde entra um assistente de IA

Perguntar a um modelo *“qual o código CID-10 do infarto agudo do
miocárdio?”* devolve um código plausível. Costuma acertar nos casos
famosos, e erra silenciosamente na cauda — que é justamente onde a
consulta importa, porque nos casos famosos ninguém precisa perguntar.

O ganho de ligar o assistente às fontes oficiais é o mesmo de sempre:
**procedência**. O código vem com a fonte, a versão da terminologia, a
URL canônica e a licença; o rótulo em português vem do CBCD ou da OMS,
não de uma tradução inventada na hora; e o mapeamento entre revisões vem
da tabela da OMS, com as alternativas à vista, em vez de uma escolha
implícita.

É o que o
[`medical-terminologies-mcp`](https://github.com/SidneyBissoli/medical-terminologies-mcp)
faz: 31 ferramentas sobre ICD-11, LOINC, RxNorm, MeSH, ATC e CID-10,
para clientes que falam [MCP](https://modelcontextprotocol.io). A CID-10
vai embutida — consulta sem chamada de rede e sem limite de taxa —, e há
validação em lote de até 100 códigos de uma vez, entre seis
terminologias, para quem precisa auditar uma base inteira antes de
analisá-la.

Uma última recomendação, independente de ferramenta: **antes de comparar
duas séries de morbidade, verifique se as duas estão na mesma revisão e
no mesmo grão.** Boa parte das quebras inexplicáveis em série histórica
de saúde é uma dessas duas coisas.

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*Servidor:
[`medical-terminologies-mcp`](https://github.com/SidneyBissoli/medical-terminologies-mcp)
· endpoint hospedado em `https://medical.sidneybissoli.com/mcp` · pacote
npm
[`medical-terminologies-mcp`](https://www.npmjs.com/package/medical-terminologies-mcp)
· código sob licença MIT. As terminologias servidas têm licenças
próprias — veja
[NOTICE.md](https://github.com/SidneyBissoli/medical-terminologies-mcp/blob/main/../NOTICE.md).*
